Colunista

ANABOLIZANTES E OS SEUS PERIGOS

Muito disseminados nas academias e redes sociais, os anabolizantes vêm sendo bastante procurados por mulheres jovens, entre 20 e 30 anos, que buscam milagres para conseguir um corpo atlético e atraente. O principal componente dos anabolizantes é a testosterona – hormônio masculino – sendo usados para ganho de massa muscular. No entanto, seu consumo indiscriminado pode trazer consequências sérias. Suas indicações terapêuticas são bem estabelecidas e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):


• Pacientes com HIV positivo que desenvolvem sarcopenia (diminuição da massa e força muscular) grave;

• Homens com hipogonadismo (alterações na função dos testículos, que envolvem a produção de esperma ou testosterona).


Tais indicações são feitas por médicos com uso de receita controlada e CID (Classificação Internacional de Doenças), podendo assim serem comercializados em farmácia. No entanto, a dificuldade de adquirir a droga de forma legal, acabou gerando um mercado paralelo, permitindo que as pessoas os comprem pela internet para fins estéticos. Com o Instagram, o Facebook e as blogueiras divulgando o uso de anabolizantes (o mais conhecido é o Oxandrolona), essas vendas se disseminaram. Está fácil comprar, usar e, infelizmente encontrar médicos que indiquem anabolizantes sem conhecer a saúde da paciente, exercendo a má medicina.

Geralmente, a usuária de anabolizantes conhece seus riscos, mas busca apenas seus benefícios, ou seja, corpo definido, força, maior capacidade aeróbia e resistência muscular. O que não sabe, é que a droga vicia, e essa pessoa pode se tornar uma dependente química, que vai sofrer com síndrome de abstinência ao parar de usá-la. Muitos são os efeitos adversos dessa medicação, como agressividade, efeitos cardíacos graves (devido a alteração da massa muscular, o coração acaba crescendo de forma concêntrica – como se ficasse um coração “gordo”), causar isquemia e levar à morte e alterações de colesterol e triglicerídeos (a depuração da testosterona acontece no fígado e rins).

No aparelho genital as mulheres podem desenvolver hipertrofia (aumento) do clitóris sendo irreversível e só corrigido com cirurgia que é uma violência pois há necessidade de amputá-lo. Pode parar também a menstruação, levando a mulher à infertilidade, pois bloqueia-se o hormônio feminino. Outras alterações como mãos grandes, veias saltadas, pescoço alado, voz mais grossa, queda de cabelo, excesso de pelos e atrofia (diminuição) dos ovários.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Sociedade Brasileira de Medicina e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) lembra que a disseminação dos implantes de Testosterona em jovens é totalmente proscrita, buscando dessa forma evitar tragédias nessa disputa entre consumo e riscos, o que infelizmente não está muito longe de acontecer.

Dra. Doriana Garcia
COLUNA SAÚDE DA MULHER: A médica ginecologista e obstetra atuante em Jales/SP esclarece sobre a saúde feminina, a importância das consultas de rotina

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