Colunista

DELÍCIAS E DORES DO RUMO IGNORADO

Do tempo das fábricas para a era dos tablets e aplicativos, o mundo mudou, o trabalho acompanhou essa transformação e o trabalhador brasileiro não podia prever o rumo que estava tomando no que diz respeito ao efeitos nem sempre benignos para a sua saúde advindos das Revoluções Industriais e, posteriormente, Digital.

A Revolução Industrial transformou não só o setor econômico e industrial, como também as relações sociais, as relações entre o homem e a natureza, provocando alterações no modo de vida das pessoas, nos padrões de consumo e no meio ambiente. A Terceira Revolução Industrial trouxe avanços, novas possibilidades e, principalmente, mudou o modo como o homem relaciona-se com a sua saúde. O “rumo ignorado” que tomamos nos trouxe para a quarta Revolução Industrial e, hoje, sentimos o impacto brutal desta na nossa pele, músculos, ossos, enfim, em todos os órgãos, principalmente na alma e no espírito.

Durante 30 anos, o Grupo de Pesquisas Metamorfoses do Mundo do Trabalho da UNICAMP acompanhou as mudanças que a tecnologia provocou no perfil dos empregos. De 1989 até agora, os pesquisadores constataram a mudança gradativa do adoecimento do trabalhador brasileiro (ansiedade, depressão, lesões articulares por esforços repetitivos, doenças hipocineticas advindas do sedentarismo).

Segundo a Organização Mundial de Saúde a depressão é um transtorno mental frequente. Em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem com esse transtorno. As dores na coluna vertebral também são frequentes e não têm uma causa específica. Ainda segundo a OMS, 75% das crianças no Brasil estão sedentárias, isto é, não praticam o mínimo (60 minutos) de exercícios e ou atividades físicas diariamente. Os últimos estudos apontam o enorme número de pessoas portadoras de doenças crônicas: diabéticos (mais de 14 milhões), obesos (mais de 33 milhões), hipertensos (45 milhões).

No início dos anos 90 e da Era Digital e da Informação no Brasil, momento em que ingressei na aventura profissional  no campo da Saúde, do Bem-Estar e do Fitness  atuando como instrutora de Ginásticas Holísticas (Dança, Ginástica Coletiva, Pilates e Yoga) e da Psicomotricidade Infantil, a minha grande questão era como conseguir resultados mais consistentes na melhoria da saúde e do bem-estar dos clientes de diversas idades e limites (físico e emocional) que por conta da sobrecarga da vida  moderna, em sua grande maioria,  já buscavam e necessitavam de um atendimento holístico, enriquecido por cuidados especiais.

Notei que quanto mais envolvido na Era Digital era o meu cliente, mais eu precisa estudar profundamente e, principalmente, os conhecimentos pilares que são os parâmetros e posicionamentos para controle de atividade física de acordo com cada grupo de doença. Além disso e sobretudo os meus clientes precisavam da ajuda de uma equipe multidisciplinar da Saúde.

Cheguei a conclusão que para ajudar o Homem Digital na sua estadia e caminhada nesse mundo moderno, o profissional da Educação Física, por exemplo, precisa ir além, conectando-se com outros profissionais do campo da Saúde (fisioterapeuta, médico, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicólogo, entre outros), tendo em vista um atendimento multifuncional e assim mais assertivo para a melhora efetiva da qualidade de vida do cliente do século XXI.

Vale a pena lembrar que é de suma importância o investimento em políticas públicas de saúde.  A melhora da saúde e do bem estar da população brasileira está diretamente ligada a atenção dos governos nacional, estadual e municipal para com os programas e ações de promoção da saúde.

Márcia Godoy
COLUNA SAÚDE & BEM-ESTAR: A psicomotricista, especialista em reeducação postural global dinâmica e diretora da Pilates Fitgoy Cursos traz as novidades

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