Colunista

FELIZ É A CRIANÇA MOTRIZ: O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR

Todos nós temos alguma noção sobre como é uma criança; ela rola, engatinha, pula, corre, trepa, fantasia, joga...Uma coisa é certa, a maior marca registrada da criança é a motricidade global, isto é, a capacidade crescente de realizar grandes movimentos corporais, correto? Errado! Atendo crianças no campo da motricidade,  da psicomotricidade e da reeducação postural há quase três décadas e nos últimos 15 anos observo o crescente número de crianças cujo a principal característica não está ligada à capacidade de execução dos múltiplos movimentos (capacidade motriz), e sim com a esperteza na  manipulação  dos tablets, celulares e videogames.

Esta mudança do comportamento das crianças no século XXI é bastante preocupante, pois ameaça o bom desenvolvimento psicomotor, afetivo e social destas e, consequentemente, a saúde global destes futuros adolescentes e adultos. As novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam: para as crianças  crescerem saudáveis, devem passar menos tempo sentadas assistindo a telas, dormir melhor e ter mais tempo para brincar ativamente.

Crianças não motrizes, isto é, com dificuldade para desempenhar eficientemente as habilidades motoras básicas e, posteriormente, as capacidades físicas, experimentam fracassos repetidos nas atividades do dia-a-dia. Em consequência, elas frequentemente não se vêem como seres de valor (Gallahue, 2003). "Entre os anos de 2003 e 2013, o Brasil registrou aumento de 10% nos casos de suicídio entre crianças e adolescentes dos nove aos 19 anos. Os dados fazem parte dos estudos Mapa da Violência, publicados em 2014 e 2015, e usam informações divulgadas pelo Ministério da Saúde." (Gazeta do Povo, 13 de março de 2019)

Taylor (1980), em outras palavras, diz que um dos melhores meios para o desenvolvimento da boa auto-estima infantil é a atividade  física, tendo como  plano de fundo as brincadeiras, pois estas auxiliam a criança em todas as áreas do desenvolvimento (físico, social, emocional e cognitivo). Fiona Bull, diretora de programas da OMS de vigilância e prevenção populacionais de doenças não transmissíveis como lesões osteoarticulares por conta da má postura, depressão, obesidade, câncer etc, afirma: "Aumentar a atividade física, reduzir o sedentarismo e garantir um sono de qualidade para crianças irá melhorar sua saúde física, mental e bem-estar, bem como ajudará a prevenir a obesidade infantil e doenças associadas posteriormente".

O problema é grave e precisa ser pensado por todos, sobretudo pelos pais de crianças e adolescentes.  Os padrões de estilo de vida da família devem ser adaptados para aumentar os ganhos em saúde, como caminhar, pedalar e/ou brincar ao ar livre com as crianças. Além do ambiente familiar, a Educação Física Escolar, as Escolas de Esportes, as Academias de Ginásticas e os Studios de Pilates podem ser bons espaços para desenvolver a  psicomotricidade infantil. No entanto, atenção! O profissional que se propõe a atender o público infantil deve ser capacitado para isso, este deve saber que a criança não é um adulto em miniatura, por isso precisa adquirir conhecimentos sobre o seu desenvolvimento psicomotor, sobre a pedagogia e a didática aplicadas para cada faixa etária, caso contrário a criança corre o risco de sofrer  traumas tanto  físicos como psicológicos que, certamente, prejudicará o seu desenvolvimento global e, consequentemente, a sua capacidade de ser feliz.

Márcia Godoy
COLUNA SAÚDE & BEM-ESTAR: A psicomotricista, especialista em reeducação postural global dinâmica e diretora da Pilates Fitgoy Cursos traz as novidades

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